
Outro dia em sessão uma paciente falou “ Geovana, tudo que o que você diz é diferente ou contrário do que as outras pessoas, meus amigos me falam” e achei essa frase tão interessante.
O contexto, pra que vocês entendam, era, eu falando que a paciente precisava experimentar e expressar os sentimentos que estavam vindo à tona diante da sua situação atual e o que os outros diziam é que ela devia relaxar, pensar positivo, pensar que vai ficar tudo bem, que não é assim tão ruim… esse era o pano de fundo.
E ai, abriu espaço para gente falar sobre o que significa a terapia:
Primeiro, o amigo ele dá conselho, ele acolhe, fala que vai ficar tudo bem, te leva pra beber, pra espairecer, vive contigo na tentativa de te animar também… e repito, dá conselho.
A terapeuta não.
Eu não dou conselho. Eu não vou te dizer “vai ficar tudo bem, pensa positivo”, porque eu estaria invalidando a tua experiência. O meu lugar enquanto terapeuta, não é de dar consolo aos meus pacientes, é em primeiríssima instância acolher essa dor, compartilhando essa travessia ao lado do meu paciente, legitimando que essa dor é real, machuca, destrói, mas que neste momento não precisa ser vivida sozinha, e por isso, sou companheira de travessia, para viver dores e amores junto. perto. próximo.
Eu vou ser corpo de suporte, um continente para aquele que se vê em estado de deriva, eu vou estar junto. Porque a vida exige viver esses processos e a terapia, também serve para gente entender que não precisamos viver isso sozinhos. Além de claro, nos ajudar a enxergar coisas que antes não eram vistas.
mas nunca, nunca conselho… porque eu não sei o que é melhor pra tua vida, mas eu posso caminhar contigo pra gente descobrir o que mais faz sentido pra ti.
Bora?